O Brasil está nos Jogos Olímpicos de Los Angeles-2028. A Seleção Brasileira masculina venceu a Argentina por 3 sets a 0, parciais de 25-20, 25-23 e 25-20, neste domingo (20/9), no Maracanãzinho, no Rio de Janeiro, conquistou o título do Sul-Americano Masculino de Vôlei 2026 e garantiu a classificação olímpica com dois anos de antecedência.
Darlan comandou a vitória brasileira e terminou como o maior pontuador da partida, com 23 pontos, todos de ataque. A Seleção encerrou a competição invicta, com cinco vitórias em cinco jogos e sem perder um único set.
A partida foi marcada também por provocações dos argentinos ao longo do jogo. Depois do último ponto, Darlan devolveu as provocações e fez um gesto de “tchauzinho” em direção aos adversários durante a comemoração. Os jogadores da Argentina reagiram, houve um princípio de confusão junto à rede e integrantes das duas equipes precisaram intervir até os ânimos se acalmarem.
A classificação mantém uma tradição histórica do vôlei brasileiro. O Brasil nunca ficou fora dos Jogos Olímpicos no masculino e estará novamente entre as seleções que disputarão a medalha em Los Angeles.
Tricampeã olímpica, a Seleção conquistou o ouro em Barcelona-1992, Atenas-2004 e Rio-2016. A última medalha olímpica do masculino veio justamente há dez anos, no Maracanãzinho.
Nas duas edições seguintes, o Brasil terminou fora do pódio. Em Tóquio-2021, ficou na quarta colocação depois de perder para a Argentina na disputa pelo bronze. Em Paris-2024, a campanha terminou nas quartas de final.
Brasil começa agressivo e larga na frente
O Brasil entrou muito ligado na decisão contra a Argentina. Com Cachopa distribuindo bem o jogo e Lucarelli e Darlan aparecendo com força no ataque, a Seleção abriu 7 a 3 logo no início do primeiro set, obrigando Horacio Dileo a parar o jogo.
A parada não mudou o ritmo brasileiro. A equipe de Bernardinho manteve a agressividade e a regularidade, administrou a vantagem e fechou a primeira parcial por 25 a 20.
Darlan terminou o primeiro set como o maior pontuador do Brasil, com seis pontos. Lucarelli também teve participação importante, com quatro.
Argentina reage, mas Brasil segura o segundo set
O Brasil manteve o embalo no início da segunda parcial e abriu 8 a 4, comandando o placar. Aos poucos, porém, a Seleção passou a desperdiçar oportunidades de contra-ataque e permitiu a reação argentina.
A Argentina cresceu no ataque e foi para o tudo ou nada no saque, enquanto o Brasil passou a sentir um pouco mais na recepção. A diferença caiu para apenas um ponto em 22 a 21, deixando o final da parcial aberto.
Mesmo pressionada, a Seleção Brasileira conseguiu manter a vantagem nos momentos decisivos. No 24 a 23, Adriano virou a bola de ataque que fechou o set em 25 a 23 e colocou o Brasil a apenas uma parcial da vaga olímpica.
Bernardinho também utilizou durante a partida a inversão do 5-1, com as entradas de Brasília e Bryan.
Argentina muda, mas Darlan comanda reação brasileira
Precisando reagir, Horacio Dileo mudou a formação da Argentina no terceiro set. O treinador passou a atuar com três ponteiros, Vicentín, Palonsky e Armoa, numa tentativa de melhorar a linha de passe.
Na nova formação, Armoa fez duas passagens na saída de rede quando estava na linha de frente. A mudança deu resultado inicialmente. Mais equilibrada na recepção, a Argentina começou melhor do que nos dois sets anteriores e abriu 4 a 2.
O Brasil reagiu durante a parcial e retomou o controle da partida. Darlan assumiu o protagonismo ofensivo e comandou a Seleção na arrancada para a vitória.
O Brasil fechou o terceiro set por 25 a 20 e confirmou o 3 a 0, fazendo a festa da torcida no Maracanãzinho: título sul-americano e passaporte carimbado para Los Angeles-2028.
Darlan faz 23 pontos
Darlan foi o maior pontuador da partida, com 23 pontos, todos de ataque. Lucarelli apareceu na sequência entre os brasileiros, com oito acertos, enquanto Judson e Flávio marcaram sete pontos cada. Adriano contribuiu com seis.
Pelo lado argentino, Vicentín foi o maior pontuador da equipe, com 11 pontos.
Brasil recupera o título sul-americano
A vitória também devolveu ao Brasil o título do Sul-Americano Masculino. Maior campeão da história da competição, o país chegou à 34ª conquista continental.
A Argentina havia interrompido a sequência brasileira em 2023. Naquela edição, disputada em Recife, os argentinos venceram o Brasil por 3 sets a 0 no confronto decisivo e conquistaram o primeiro título sul-americano desde 1964.
Três anos depois, o Brasil deu o troco diante da torcida no Maracanãzinho. As duas seleções chegaram invictas à última rodada, transformando o clássico em uma decisão direta pelo título e pela vaga olímpica.
Bernardinho ganha dois anos para preparar o Brasil
A classificação já em 2026 dá tranquilidade a Bernardinho para a sequência do ciclo olímpico. Com a vaga assegurada dois anos antes dos Jogos, o treinador ganha tempo para testar jogadores, aumentar a rodagem dos mais jovens e fazer os ajustes necessários na equipe que pretende levar a Los Angeles.
O próprio Sul-Americano mostrou parte dessa estratégia. Bernardinho rodou bastante o elenco durante a competição e aproveitou a superioridade em algumas partidas para dar minutos a jogadores mais jovens.
Um dos exemplos foi Bryan. O jovem oposto recebeu oportunidades durante o torneio enquanto Darlan foi administrado em diferentes momentos. Mesmo sem disputar a estreia contra o Chile e atuando apenas uma partida inteira antes do clássico, Darlan chegou à decisão como maior pontuador brasileiro e confirmou o protagonismo diante dos argentinos.
Argentina ainda terá duas chances de chegar a Los Angeles
A derrota no Maracanãzinho não encerra o caminho da Argentina até os Jogos Olímpicos de Los Angeles-2028. Os argentinos ainda terão outras duas oportunidades para buscar a classificação.
A primeira será na Copa do Mundo de 2027, disputada entre 10 e 26 de setembro, na Polônia. A competição distribuirá três vagas olímpicas para as três seleções mais bem colocadas que ainda não estiverem classificadas para Los Angeles-2028.
Se não conseguir a classificação na Polônia, a Argentina ainda terá a última oportunidade pelo Ranking Mundial. As três vagas finais serão destinadas às seleções mais bem posicionadas entre as ainda não classificadas após a fase classificatória da VNL de 2028.
A definição acontecerá, portanto, já às portas dos Jogos Olímpicos.
Campanha do Brasil no Sul-Americano 2026
Brasil 3 x 0 Chile – (25-23, 25-16, 25-21)
Brasil 3 x 0 Bolívia – (25-18, 25-13, 25-16)
Brasil 3 x 0 Colômbia – (25-23, 25-14, 25-16)
Brasil 3 x 0 Venezuela – (25-19, 25-14, 25-19)
Brasil 3 x 0 Argentina – (25-20, 25-23, 25-20)
Escalações
Brasil: Cachopa, Darlan, Judson, Flávio, Lucarelli, Adriano e Maique (líbero). Entraram: Brasília, Arthur Bento e Bryan. Técnico: Bernardinho.
Argentina: De Cecco, Kukartsev, Loser, Zerba, Armoa, Vicentín e Massimino (líbero). Entraram: Palonsky, Gómez, Martínez, Palonsky e Díaz. Técnico: Horacio Dileo.