Dez anos depois do ouro olímpico conquistado no Rio-2016, Bruninho voltou ao Maracanãzinho neste sábado (19/9) para uma noite de lembranças. O levantador esteve no ginásio durante a vitória do Brasil sobre a Venezuela, pelo Campeonato Sul-Americano Masculino de Vôlei, e foi um dos campeões olímpicos homenageados pela conquista histórica de 2016.
Aos 40 anos e ainda em atividade pelo Vôlei Renata, Bruninho falou sobre a emoção de retornar ao palco onde viveu um dos momentos mais importantes da carreira.
“É sempre um filme que passa na cabeça. O momento mais importante das nossas vidas, eu acho que de todos esses caras que estavam aqui também, que fizeram parte desse momento. Poder voltar ao templo, o templo do vôlei brasileiro e talvez um dos maiores do mundo, traz só ótimas recordações”, disse Bruninho, em entrevista ao Sportv.
Para o levantador, a homenagem também serve para manter viva a história construída pela geração campeã olímpica.
“A gente sabe que vive sempre no presente, mas relembrar certos momentos como esse serve também para valorizar a história do esporte brasileiro. Eu acho que é isso que fica também como legado para o futuro.”
Uma carreira com mais de 50 títulos
Bruninho é um dos jogadores mais vitoriosos da história do vôlei brasileiro. Pela Seleção, além do ouro olímpico no Rio-2016, conquistou o Campeonato Mundial de 2010, quatro edições da Liga Mundial, a Liga das Nações de 2021, duas Copas do Mundo, títulos dos Jogos Pan-Americanos e diversos Sul-Americanos. Também foi medalhista de prata nas Olimpíadas de Pequim-2008 e Londres-2012.
Nos clubes, construiu uma trajetória igualmente extensa. Passou por Unisul/Cimed e Cimed, em Santa Catarina, pelo projeto do Rio de Janeiro, Sesi-SP e Taubaté, além de períodos importantes no vôlei italiano com Modena e Civitanova.
Na Civitanova, conquistou em 2019 dois dos maiores títulos possíveis no calendário de clubes: a Champions League e o Mundial de Clubes. Na Itália, também foi campeão italiano e da Copa Itália.
Capitão e referência na posição
Desde 2024, Bruninho defende o Vôlei Renata. A temporada 2026/27 é a terceira consecutiva do levantador em Campinas, cidade onde viveu parte da juventude e iniciou sua formação no esporte. Desde o retorno ao Brasil, já acrescentou novos troféus à coleção com a equipe campineira.
Filho de Bernardinho, Bruninho também construiu uma carreira marcada pela pressão e pelas cobranças que acompanharam o fato de atuar durante tantos anos em uma Seleção dirigida pelo próprio pai. Ao longo de duas décadas na equipe brasileira, consolidou-se como capitão, referência da posição e um dos atletas mais vencedores de sua geração.
Na homenagem deste sábado, ele preferiu lembrar que os grandes títulos foram construídos muito antes da subida ao pódio.
“Muitas vezes a gente só lembra desse momento do pódio, daquele momento incrível que foi o último ponto, mas tudo aquilo que pavimentou todos os treinamentos, Saquarema durante anos, frustrações, derrotas e toda essa resiliência que acaba hoje refletindo nisso, nesse carinho do público e no respeito dos atletas mais jovens e de outras seleções.”
“Eu acho que esse é o legado que, através do trabalho e dedicação, a gente de alguma maneira deixa para o futuro”, completou.
Bruninho projeta Brasil x Argentina
Depois da homenagem, Bruninho também falou sobre a atual Seleção Brasileira. O ex-capitão acompanhou de perto a campanha do time no Sul-Americano e destacou a reação do grupo depois dos resultados abaixo das expectativas na última Liga das Nações.
“Eu conheço todos eles, conheço toda a comissão técnica. Eu sei o que essa dor, essa frustração depois desse resultado ruim trouxe para eles. Eles estão, através disso tudo, usando como combustível para se motivar e chegar aqui”, afirmou.
“A gente sabe que amanhã é uma guerra”
E o campeão olímpico já voltou suas atenções para o grande duelo deste domingo.
Brasil e Argentina se enfrentam no encerramento do Sul-Americano, no Maracanãzinho, em uma partida que vale o título continental e a classificação para os Jogos Olímpicos de Los Angeles-2028.
Bruninho não escondeu o tamanho do confronto.
“A gente sabe que amanhã é uma guerra, no bom sentido da palavra, contra a Argentina. Um jogo difícil, mas eu tenho certeza que eles vão fazer bonito e a gente vai sair com essa vaga olímpica.”