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Cachopa condena ataques homofóbicos a jogadores da Seleção: “Injustificável”

Cachopa condena ataques homofóbicos sofridos por jogadores da Seleção Brasileira e afirma: “É coisa de denúncia”.
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O levantador Cachopa condenou os ataques homofóbicos sofridos por jogadores da Seleção Brasileira masculina de vôlei nas redes sociais durante o período de resultados ruins da equipe. O camisa 14 do Brasil citou Douglas Souza, Douglas Pureza, Maique e Adriano e afirmou que as críticas ultrapassaram o desempenho dentro de quadra e chegaram à sexualidade dos atletas.

Cachopa falou sobre o assunto em entrevista ao GE. O levantador, que nesta temporada trocou o Milão, da Itália, pelo Fenerbahce, da Turquia, relatou forte pressão sobre o grupo.

O Brasil acumulou resultados abaixo das expectativas nos últimos anos. A Seleção caiu nas quartas de final dos Jogos Olímpicos de Paris 2024 e terminou o Campeonato Mundial de 2025 na 17ª colocação. Em 2026, não avançou à fase final da VNL pela primeira vez na história da competição.

Segundo Cachopa, foi nesse cenário que as críticas nas redes sociais ganharam força e, em alguns casos, ultrapassaram os limites do esporte.

“O principal problema hoje são as redes sociais. No período que a gente não conseguiu se classificar depois da última semana, choveu crítica para todo mundo. Mas eu acho que uma coisa que foi exagerada foi com relação aos quatro atletas do nosso time, Douglas, os dois Douglas, Maique e Adriano, que sofreram de maneira, eu acho que injustificável. Pelo baixo desempenho da equipe, acabaram relacionando isso à sexualidade, a outros assuntos que, enfim, não têm nada a ver com o esporte, com o desempenho dentro de quadra. Eu acho que essas coisas foram pesadas”, afirmou Cachopa.

Cachopa fala sobre o impacto das redes sociais

O levantador contou que evita acompanhar comentários nas redes sociais. Mesmo assim, reconheceu que os jogadores não conseguem ficar completamente afastados das mensagens e dos ataques.

“Eu sou um cara que, sendo bem sincero, não acompanho muito, não fico procurando coisa, olhando comentário. Então, para mim, acho que afeta um pouco menos. Mas lógico que tem atletas que olham e chega até a gente, não tem jeito. Mensagem, tem gente que manda mensagem, tu acaba vendo e é impossível tu não olhar as críticas, as besteiras, um monte de coisa ruim que te falam e não ser afetado com isso.”

Cachopa revelou que os jogadores tentaram se proteger durante o momento de maior pressão. O levantador também criticou quem, segundo ele, explorou a situação para conseguir repercussão nas redes sociais.

Seleção durante o Sul-Americano (Maurício Val/CBV)

“O que tentamos fazer foi fechar o grupo, absorver o que era realmente o problema e não ficar dando ouvidos a essas coisas ditas em redes sociais. Muita gente aproveitou para surfar a onda, para ganhar view, like, se promover com essa situação. Enfim, foi um período difícil, pesado para todo mundo. Eu via algumas coisas inaceitáveis publicadas em rede social. Pelo lado humano as pessoas não conseguiam ter empatia, pensar que poderiam estar afetando as pessoas. Foi doloroso.”

“É coisa de denúncia”

Durante a entrevista, os jornalistas destacaram que os ataques relatados configuravam crime de homofobia. Cachopa concordou e reforçou a gravidade do que os jogadores enfrentaram.

“Exato. É coisa de denúncia. Foi esse o nível a que chegamos, infelizmente, por alguns meses. Eu ia para casa na folga, por exemplo, e algum amigo de fora do vôlei mandava uma coisa que eu nem sabia. Eu falava: ‘Nem dá bola para isso’.”

A Seleção Brasileira encerrou o período de pressão com uma conquista importante. Em setembro, o Brasil venceu o Campeonato Sul-Americano e garantiu antecipadamente a vaga nos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028. Na decisão, no Maracanãzinho, a equipe comandada por Bernardinho derrotou a Argentina por 3 sets a 0.

 

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