No meu caso, acesso para vôlei e vôlei de praia, exatamente o que eu preciso. Neste domingo (28/7), pela primeira vez, fui conhecer a bela arena montada aos pés da Torre Eiffel. E, no caminho até lá, acabei por engano dentro da arena do judô, vendo a semifinal do brasileiro Willian Lima contra o cazaque Gusman Kyrgyzbayev.
Depois de encarar os trâmites de segurança (abre a mochila, retira laptop e celular e passa pelo RX), me deparei com um espaço nunca antes visitado. Olho as placas, fico com uma dúvida sobre o caminho a seguir e pergunto a um funcionário, parado na entrada de uma grande construção.
– Como faço para chegar ao vôlei de praia?
Ele olha a credencial, passa o scanner do celular dele no QR Code para comprovar a validade e diz:
– Pode entrar por aqui mesmo. Logo à esquerda.
Agradeço, entro e me deparo com diversas estruturas metálicas de escadas. Subo alguns lances e começo ouvir ao longe: “Hajime”. Era o começo das finais do judô neste domingo. Um olhar mais atento e vejo no tatame justamente o brasileiro Willian Lima, na metade da sua semifinal.
Dei aquela congelada. Sei que estar em lugar não permitido pela minha credencial pode dar problema. Olho para o relógio com a contagem regressiva e falta por pouco mais de um minuto e meio para o fim da luta, empatada sem pontuação naquele momento.
Meu anjinho interno sussurra:
“Sai logo e vai procurar o jogo da Duda e da Ana Patrícia”
O diabinho rebate:
“Ficou maluco? Se ele ganhar, vai pra final e conquista a primeira medalha do Brasil em Paris.
Para quem gosta de esporte, o argumento do diabinho era tentador. Fiquei e torci por um wazari ou ippon do Willian naqueles 90s que faltavam. Luta segue sem pontuação e vai pro golden score, a atual prorrogação da modalidade.
“Vai dar BO”, provoca o anjinho.
Sigo no meu cantinho, de pé numa escadaria. O tempo parece uma eternidade, até o brasileiro conseguir a pontuação e vencer a luta. Medalha garantida no judô.
Desço as escadas, passo pelo mesmo funcionário, solto aquele “merci” tradicional, caminho um minutinho e opto por perguntar para um voluntário sobre o caminho. Desta vez ele aponta o correto:
– Olha pra cima e vai se guiando pela Torre Eiffel. É bem tranquilo.
Me senti meio burro, mas um burro com sorte neste domingo.
Por Daniel Bortoletto em Paris