Técnico da seleção masculina da Argentina e do Vôlei Renata, Horacio Dileo projetou o ciclo 2026 em entrevista à ESPN e deixou claro qual será o eixo central de seu trabalho à frente da equipe nacional. No novo cenário internacional, o treinador apontou a classificação olímpica como prioridade absoluta e indicou o Campeonato Sul-Americano como o torneio mais determinante da temporada.
A campeã continental carimbará o passaporte olímpico para Los Angeles com dois anos de antecedência.
– O objetivo principal de 2026 é a classificação para os Jogos Olímpicos, e isso faz com que o foco central esteja no Sul-Americano – declarou na entrevista.
Segundo Dileo, o atual formato de classificação elevou o peso dos torneios continentais, exigindo um planejamento cuidadoso ao longo do ano. Nesse contexto, a Liga das Nações seguirá no radar, mas com uma função estratégica dentro de um calendário cada vez mais desgastante para os atletas.
O treinador explicou que a competição servirá como parte do processo de preparação, com atenção especial à gestão de cargas físicas, à mescla de grupos e ao equilíbrio mental do elenco. O objetivo é fazer com que a seleção chegue em seu melhor momento justamente na disputa do Sul-Americano. A competição está prevista para acontecer entre agosto e setembro, provavelmente no Rio de Janeiro (RJ).
– Mas de nenhuma maneira vamos descuidar da VNL, mas vamos usá-la entendendo como são hoje os calendários dos jogadores, cada vez mais extensos e cansativos – ponderou o técnico.
NOVO FASE
A temporada marca também o início de um novo comando na seleção argentina, após o encerramento do ciclo de Marcelo Mendez. Sucessor direto do treinador, Dileo ressaltou a continuidade do trabalho desenvolvido nos últimos anos e a relação próxima mantida com Mendez, que segue como referência no projeto da seleção.
– Sempre me senti parte do processo do Marcelo. Segui em contato com ele, com os jogadores e com o corpo técnico. Temos respeito, confiança e um carinho humano grande com todos – celebrou.
Ao falar sobre a principal rival no continente, Horacio Dileo adotou um discurso de respeito e cautela ao tratar do Brasil, evitando qualquer projeção precipitada de confrontos decisivos. Para ele, o caminho até uma eventual final passa, antes de tudo, por uma construção sólida ao longo do torneio.
– Brasil sempre será Brasil, em qualquer condição. Mas para chegar a uma hipotética final com o Brasil, primeiro é preciso construir o Sul-Americano – disse Dileo.
– Não podemos pensar em ninguém sem pensar antes no rival que temos pela frente. Tudo é trabalho e construção – completou.
FORMA DE TRABALHO
A ideia de “construção” aparece como um conceito central na filosofia de Dileo. Para o técnico, o desempenho em alto nível é resultado de um processo contínuo, que envolve autoconhecimento do grupo e preparação para render no momento-chave.
– Um time tem que reconhecer suas virtudes, esconder os defeitos e chegar ao momento-chave da melhor maneira possível.
Ao abordar possíveis convocações, o treinador adotou um tom direto e deixou claro que a presença na seleção estará vinculada ao desejo e ao comprometimento dos atletas, respeitando os diferentes contextos individuais.
– Não vou exigir que ninguém esteja. O que quiser estar, tem que ser por desejo e compromisso – finalizou.
Enquanto projeta o futuro da seleção argentina, Horacio Dileo também vive um momento de destaque no cenário brasileiro. À frente do Vôlei Renata, o treinador argentino é um dos protagonistas da Superliga masculina, na vice-liderança, com 36 pontos.


