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Fenerbahce insiste no erro e mantém sina na Champions

Análise de Daniel Bortoletto sobre mais uma eliminação do Fenerbahce nas quartas de final da Champions League
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A obsessão do Fenerbahce de reconquistar a Champions League feminina de vôlei esbarrou, em 2026, nos erros e na teimosia do técnico italiano Marcello Abbondanza.

Na fila na principal competição europeia desde 2012, quando ainda era comandado por José Roberto Guimarães, o Fener caiu nas quartas de final diante do Scandicci, em Istambul, e ficou com um gosto muito amargo na boca.

Abbondanza insistiu demais em Hande Baladin no jogo de ontem (20/3). A turca saiu zerada na pontuação nos primeiros sets, marcou pela primeira vez na terceira parcial e ainda assim só não começou jogando o golden set.

Foram quatro pontos para a turca no jogo, sendo três no ataque, com apenas 23% de aproveitamento, e um no bloqueio. Mas ela compensa no passe, alguém vai dizer. Pode já ter feito isso em outros momentos, mas ontem cometeu quatro erros em 32 ações, com 44% de positividade.

É preciso, porém, ser justo e citar bons momentos de Baladin no começo da temporada. Mas atualmente a insistência não se justifica.

Desta vez, Abbondanza sequer tem a desculpa da regra das estrangeiras utilizada no Campeonato Turco (apenas três em quadra simultaneamente). Ele poderia ter usado Ana Cristina na posição de Baladin sem pensar duas vezes até para começar a partida.

A brasileira entrou em todos os sets, é verdade. Foi titular apenas na parcial extra. Mas não consegue ter sequência nesta temporada no Fenerbahce. Entra quase sempre com o time perdendo, faz passagem pela rede recebendo poucas bolas para atacar e depois volta para banco quando chega no saque.

Mesmo com menor minutagem do que Baladin ontem, ela fez mais pontos (seis), teve aproveitamento ofensivo muito melhor (56%), fez o mesmo número de bloqueios (um) e a positividade no passe foi parecida (39%, com dois erros em 23 ações).

FALTA DE VARIAÇÃO E FALHAS EXCESSIVAS

Os erros do Fenerbahce merecem uma cornetada à parte na eliminação. Foram 51 em toda a partida. Apenas no saque foram impressionantes 28, sendo nove de Arina Fedorovtseva e sete de Melissa Vargas.

O time turco parece ter apenas a tática do “tudo ou nada”. Vai pra porrada e seja o que Deus quiser. O Scandicci, como comparação, falhou em apenas seis saques. Ekaterina Antropova fez sete aces e errou apenas uma vez em 26 ações. Somando os erros de ataque e passe, o time italiano deu 26 pontos para o Fener, praticamente metade do que recebeu.

Com mais uma temporada na fila na Champions, o Fenerbahce tem muita coisa a repensar. Até a Aninha e seu staff deveriam refletir bastante sobre o futuro.

Tags: Ana CristinaChampions LeagueFenerbahce

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