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Filipe lembra transição no Sada Cruzeiro: “Como manda o Wallace calar a boca?”

Filipe Ferraz relembra a transição de jogador a técnico do Sada Cruzeiro e brinca sobre a mudança na relação com Wallace.
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Filipe Ferraz precisou aprender a comandar quem, pouco antes, estava ao seu lado dentro de quadra. Ao relembrar a transição de jogador para técnico do Sada Cruzeiro, ele citou Wallace para explicar, com bom humor, um dos desafios daquela mudança. “Como é que vira pro Wallace e fala: ‘Wallace, cala a boca e faz o que eu quero?’”

A situação resume uma virada importante na carreira de Filipe Ferraz. Antes de assumir o Sada Cruzeiro, em 2021, ele defendeu o clube por 11 temporadas como jogador.

Nesse período, conquistou 39 títulos e exerceu a função de capitão durante a era vitoriosa do técnico argentino Marcelo Mendez. Agora, aos 45 anos, Filipe inicia a sexta temporada como treinador da equipe.

Troca de função manteve as conquistas

A troca de função não interrompeu a coleção de troféus. Nas cinco primeiras temporadas como técnico, Filipe conquistou outros 21 títulos pelo Sada Cruzeiro. Entre eles estão quatro Superligas.

Durante o lançamento da Superliga 2026/27, Filipe contou como administrou a mudança na relação com os antigos companheiros. O treinador lembrou que, como capitão, também exercia uma liderança dentro do elenco.

“Realmente não foi um caminho fácil, como parece para todos. Até então, eu era companheiro do Wallace, jogando ao lado dele e, ao mesmo tempo, liderando como capitão. Mas, de repente, passei de liderado para líder”, afirmou.

Além de mudar a relação com os jogadores, Filipe precisou enxergar a rotina por outro ângulo. Como capitão, ele representava o grupo e defendia os interesses dos atletas. Ao assumir o novo cargo, passou a representar também as decisões da comissão técnica.

Filipe Ferraz com taça do Mundial de Clubes (Agênciai7/Divulgação)

“Eu tinha uma coisa com os atletas, que era defender o lado dos atletas. De repente, estou na comissão técnica e tenho que esquecer um pouco o lado dos atletas e defender o lado da comissão técnica. Foi um trabalho difícil.”

Na sequência, Filipe resumiu aquela mudança com a frase que arrancou risadas durante o evento.

“Como é que vira pro Wallace e fala: ‘Wallace, cala a boca e faz o que eu quero?’”

Wallace destaca evolução de Filipe Ferraz

O oposto Wallace acompanhou de perto os dois momentos da carreira de Filipe no Sada Cruzeiro. Primeiro, dividiu a quadra com ele. Depois, passou a receber suas orientações como treinador. Ao falar sobre essa transformação, o oposto começou com uma brincadeira.

“O professor evoluiu. Acho que até demais. Antigamente ainda dava uma segurada nos treinos. Agora está como o Magoo, nosso professor, e todos os técnicos mais velhos aí.”

Em seguida, Wallace destacou uma característica que Filipe manteve mesmo depois de assumir o comando: a abertura para ouvir os jogadores.

“Brincadeiras à parte, evoluiu bastante. É um cara que sempre me deu, não só para mim, mas para todos os atletas, muita abertura para trocar ideia, para tentar agregar nos treinamentos.”

Wallace também acredita que o antigo companheiro ainda pode avançar na carreira.

“Acho que está no caminho certo. É um cara que sabe ouvir bastante a gente ali dentro de quadra e, com certeza, vai alcançar voos mais altos. Tenho certeza disso.”

“Entender mais sobre vôlei é o que me move”

Os títulos também não mudaram a forma como Filipe encara a profissão. Mesmo após cinco temporadas no comando do Sada Cruzeiro, ele ainda se considera um treinador em formação.

Por isso, Filipe busca novas referências e aproveita viagens internacionais para conhecer outros métodos de trabalho.

“Eu não sei tudo sobre vôlei, estou apenas aprendendo. Sou um treinador em busca incessante o tempo todo por conhecimento, seja ele aqui, aonde for. Tento viajar internacionalmente para buscar algum conhecimento com outros times. Então, para mim, entender mais sobre vôlei é o que me move.”

Filipe e Andrea Giani, atual técnico da seleção francesa masculina (Divulgação)

Filipe também rejeita a ideia de que repetir a fórmula das temporadas anteriores seja suficiente para continuar vencendo. Para ele, cada novo ano exige evolução.

“Não adianta a gente fazer as mesmas coisas que fizemos no ano passado que nem assim nós vamos colher os mesmos resultados. Não é suficiente.”

Diante disso, o treinador cobra mais trabalho, inovação e entrega do elenco.

“É preciso cada vez mais trabalhar, a gente inovar, encontrar novas estratégias e eles também aprenderem a se doar um pouco mais. É cada doação um pouco mais, a gente consegue subir e superar alguns obstáculos.”

Tags: Filipe FerrazSada/Cruzeiro

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