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Gabi detalha disciplina, autocrítica e rotina por trás do sucesso

Gabi revelou à FIVB os bastidores de sua disciplina, autocrítica e preparação mental para se tornar uma das referências do vôlei mundial
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A ponteira Gabi, em entrevista à Federação Internacional de Voleibol (FIVB), falou sobre os pilares que sustentam sua permanência no mais alto nível da modalidade. Em um relato marcado por autocrítica, planejamento e consciência de processo, a brasileiras deixou claro que sua carreira foi construída menos por impulsos e mais por método.

– Como tudo na vida, foi um processo. Hoje, quando olho para trás, percebo que, mesmo às vezes inconscientemente, eu estava construindo cada passo. Minha ascensão foi muito rápida, então precisei me organizar na mesma velocidade – afirmou a capitã da Seleção.

Ao revisitar o início da trajetória, Gabi explicou que as decisões foram tomadas com estratégia. Antes de pensar em dar o salto para o exterior, ela entendeu que precisava se consolidar no cenário nacional e ganhar maturidade competitiva.

– Eu entendi que primeiro precisava me estabelecer no cenário nacional, ganhar experiência na Seleção, aprender com as jogadoras mais experientes. Absorvi tudo o que pude no Rio, depois planejei o próximo passo, que foi o Minas, como uma ponte para jogar fora – relembrou.

EUROPA

A transferência para o Vakifbank, da Turquia, anos depois, representou não apenas uma mudança de país, mas uma virada interna. Mesmo preparada tecnicamente, ela percebeu que o desafio exigiria um novo nível de comprometimento pessoal.

– Quando cheguei lá, entendi que teria que fazer muito mais. Talvez tenha sido o ponto de virada. Eu percebi que, apesar de tudo o que já tinha evoluído, precisava crescer ainda mais. E sempre soube que dependia só de mim. Era eu comigo mesma – revelou.

A partir desse momento, a evolução passou a ser tratada como responsabilidade integral. Gabi transformou questionamentos diários em prática constante, elevando o padrão dos próprios hábitos.

– Preciso dormir melhor? Vou dormir. Preciso comer melhor? Vou comer. Preciso treinar mais? Vou treinar. Como posso treinar minha mente? Fiz terapia, comecei a ler sobre isso, busquei referências. Foi assim que continuei evoluindo.

Essa lógica de disciplina diária, segundo ela, é o verdadeiro divisor de águas no alto rendimento.

– O que separa boas jogadoras das melhores é disciplina e consistência. Talento pode te levar longe. Trabalho duro pode te levar mais longe ainda. Mas o que realmente faz diferença é o que você faz todos os dias, especialmente nos dias em que você não está com vontade ou quando ninguém está olhando – completou.

EVOLUÇÃO

No aspecto técnico, Gabi explicou que a maturidade no nível de elite vai muito além da execução de fundamentos. A leitura de jogo, para ela, foi o processo mais longo e complexo de consolidação.

– Leitura de jogo não acontece da noite para o dia. Leva tempo, muitos jogos, estudo de adversários, erros e correções. Com o tempo, certas percepções ficam automáticas. Você começa a antecipar, em vez de reagir.

Dentro desse amadurecimento, a recepção também exigiu atenção especial, sobretudo pela carga mental envolvida no gesto.

– Tecnicamente, a recepção foi o fundamento que mais demorou para desenvolver. Exige muita repetição, mas também confiança mental. Você pode treinar o movimento mil vezes, mas se hesitar por um segundo, isso aparece – analisou a capitã do Brasil.

PRESSÃO

Com a braçadeira da Seleção, a exposição e a expectativa naturalmente aumentaram. Ainda assim, Gabi reforça que a cobrança mais intensa sempre partiu dela mesma.

– Honestamente, ninguém coloca mais pressão em mim do que eu mesma. Às vezes é pesado, mas sempre me empurrou para melhorar e elevar meus padrões. Vencer e perder nem sempre está totalmente sob meu controle. Existem muitas variáveis no esporte. Mas meu esforço, minha disciplina, meus hábitos e minha rotina estão. Então eu foco nisso.

Em ação pela Seleção (FIVB Divulgação)

Ao longo da carreira, momentos de frustração ajudaram a redefinir prioridades e consolidar essa mentalidade. A eliminação nas quartas de final dos Jogos Olímpicos de 2016, a queda diante do Japão no Campeonato Mundial de2018 e a cirurgia no joelho, em 2017, funcionaram como marcos de reflexão.

– Aquelas derrotas doeram profundamente, não só fisicamente, mas emocionalmente. Elas me obrigaram a parar, refletir e assumir responsabilidade pelo meu desenvolvimento de outra forma. Vitórias trazem confiança. Mas derrotas trazem clareza. No início da carreira, eu estava naturalmente focada em provar meu valor, conquistar meu espaço, ganhar títulos. Mas, no fundo, sucesso nunca foi só medalha – contou.

Hoje, mais madura, a capitã associa realização a propósito, impacto e coerência com os próprios valores — elementos que, para ela, sustentam a longevidade no esporte de alto nível.

– Sucesso é entrar em quadra com gratidão. É saber que dei tudo física e emocionalmente. É usar minha jornada para inspirar alguém. Não é só sobre títulos. É sobre crescimento. Sobre ser melhor do que fui ontem. Eu permaneço com fome porque realmente amo isso. Amo competir. Amo representar meu país. O voleibol me deu a oportunidade de viver um sonho que eu achava impossível – finalizou.

Tags: GabiSeleção Brasileira

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