O bicampeão olímpico Giovane Gávio foi o convidado desta sexta-feira (7/8) do Charla Podcast, programa que conta com o patrocínio da Melitta. Com apresentação dos jornalistas Bruno Cantarelli e Beto Júnior, ele comentou sobre os dois títulos olímpicos, passado vitorioso e sobre a fase atual da Seleção Brasileira masculina.
Sobre o momento da Seleção (eliminada na primeira fase do Mundial de 2025 e ausente da fase final da Liga das Nações de 2026), Giovane criticou os jogadores:
– O mundo cresceu demais e eles procuraram entender como nós jogávamos e evoluíram. Hoje não temos um líder em quadra e esses caras precisam ser testados nas principais ligas do mundo. Por isso, a minha crítica é para os atletas, porque não aproveitam o Bernardinho da melhor forma – disse.
Vitorioso ao lado dos dois principais técnicos da modalidade no país, ele ainda rasgou elogios a Bernardinho e José Roberto Guimarães:
– Os dois são espetaculares. O Zé teve a capacidade de inventar e colocar quatro atacantes (em 1992), coisa que o Bebeto não conseguiu. Já o dia a dia do Bernardinho é espetacular e um ser humano sensacional, coisa que essa geração atual não está sabendo aproveitar.
PASSADO
Melhor jogador de vôlei do mundo em 1995, Giovane comentou que sua maior inspiração na modalidade foi a geração de 1984, que conquistou a medalha de prata olímpica naquele mesmo ano. Segundo o ex-atleta, foi esse grupo que modificou o vôlei brasileiro, pois foram as grandes cobaias das seguintes gerações.
– A geração de 84 foi muito mais atleta, porque a preparação física era desumana, não tinham a tecnologia atual e eles suportavam tudo isso. Era muito mais difícil de jogar vôlei naquele tempo, pois tinham que improvisar e aguentar tudo que foi testado com eles – disse o mineiro de Juiz de Fora.
Impactado pelo time de Renan, Montanaro, William & Cia, ele fez uma declaração sobre a sua maior inspiração:
– Era uma geração que inspirou muito, como o Renan, mas o Montanaro foi a minha grande inspiração e teve um papel muito importante na minha vida, ajudando no começo da minha carreira – confidenciou Giovane.
Integrante da equipe que conquistou o primeiro ouro olímpico, em Barcelona, ele lembrou da surpresa daquela conquista histórica.
– O Zé chega no começo de 1992 e tinha um planejamento de ganhar em 1996, mas o time encaixou durante o processo e teve um momento importante para isso, a nossa vitória sobre Cuba dois meses antes. Aquela geração nunca tinha vencido os cubanos e isso deu uma virada de chave, porque quando chegamos nos Jogos pegamos o grupo da morte e saímos em primeiro, ali começamos a pensar no título.
BI OLÍMPICO
Durante o papo, Giovane também confidenciou outro bastidor daqueles Jogos em 1992: o da comemoração do título:
– Sabe onde comemoramos o título de 92? No McDonald’s, nada contra, até porque foi irado. Mas não ganhamos prêmio e nem nada, porque eles não tinham nada planejado – destacou.
Dono de duas medalhas olímpicas, o mineiro garantiu que a equipe de 2004 tinha certeza que seria campeã.
– Naquele Jogos nós tínhamos a certeza da medalha, mas não sabíamos de quanto seria. Esse era o time do trabalho e tínhamos a sensação de merecimento, que iríamos vencer não por arrogância, mas sim porque estávamos preparados.