Comandar a seleção número 1 do ranking mundial e administrar um elenco recheado de estrelas exige mais do que escolher os seis titulares. Nikola Grbic revelou um pouco de como funciona sua relação com os jogadores da Polônia e deixou claro que nem mesmo uma equipe acostumada a disputar títulos escapa das cobranças no dia a dia.
com vitória sobre a França por 3 sets a 1 na final, no último domingo (26/9), o treinador falou sobre a exigência nos treinamentos e o orgulho pela maneira como os jogadores reagem aos momentos em que ele demonstra insatisfação.
“Tenho orgulho de ser o treinador de jogadores que entendem quando fico chateado e insatisfeito. Isso acontece quando percebo que eles não estão com a abordagem correta nos treinos ou não estão treinando como deveriam. Não acontece com frequência, mas há situações em que isso fica evidente e eu reajo. Esta medalha no final faz tudo valer a pena. Significa muito para mim ter jogadores que conseguem jogar neste nível por cinco meses e ainda lutar por uma medalha”, disse Grbic em entrevista ao WP SportoweFakty.
“Estou muito feliz, satisfeito e orgulhoso”, completou.
Concorrência e cobrança na Polônia
A exigência acontece em uma seleção com uma das maiores concorrências internas do voleibol mundial. Grbic dispõe de várias opções de alto nível para praticamente todas as posições e precisa administrar jogadores acostumados ao protagonismo em seus clubes.
Um dos exemplos citados pelo treinador foi Bartlomiej Lemanski. O central havia defendido a seleção polonesa anos atrás, mas passou um longo período distante da equipe nacional antes de retornar nesta temporada.
Grbic, que já havia acompanhado o jogador quando comandava o Zaksa, destacou principalmente a evolução e a personalidade do central.
“Lemanski jogou pela seleção nacional há alguns anos. Lembro-me de quando trabalhava no Zaksa como treinador. Naquela época, ele não chegava nem perto do nível em que está agora. Gosto muito da sua calma, da sua abordagem geral. Ele é um perfeccionista. Depois de cada ataque, ou mesmo de um ponto, ele procura coisas que pode melhorar.”
O treinador contou ainda uma conversa que teve com o jogador durante o Europeu.
“Na sexta-feira, eu disse a ele: ‘Leman, é ótimo ser perfeccionista porque você nunca vai ficar sem motivação para trabalhar em si mesmo. Mas a desvantagem é que você nunca estará completamente satisfeito’.”
“Os jogadores se desenvolvem em situações difíceis”
Outro caso destacado por Grbic foi o de Bartlomiej Boladz. Aos 32 anos, o oposto ganhou protagonismo na seleção polonesa durante a temporada e esteve em quadra nas decisões da Liga das Nações e do Europeu.
Na final contra a França, porém, Grbic chegou a discutir com sua comissão técnica a possibilidade de substituí-lo depois de um início complicado. Preferiu mantê-lo.
“Tanto na final da Liga das Nações quanto no início desta partida contra a França, Boladz não esteve no seu melhor. Ele tocou na rede, errou o saque e saiu de quadra. Houve um momento em que conversei com minha comissão técnica sobre a possibilidade de substituí-lo.”
A resposta do jogador veio ainda no primeiro set.
“No entanto, ele jogou brilhantemente no final do primeiro set. Ele não mostrou seu melhor voleibol, mas um momento como este o ajudará a crescer. Os jogadores se desenvolvem em situações difíceis. Espero que essas duas finais nesta temporada o ajudem no futuro”, explicou Grbic.
Grbic coleciona medalhas com a Polônia
A filosofia de cobrança e desenvolvimento vem acompanhada de resultados. Grbic assumiu a seleção masculina da Polônia em 2022 e transformou a equipe em presença constante no pódio das principais competições internacionais.
Desde sua chegada, a Polônia conquistou medalhas nas dez competições internacionais disputadas sob seu comando. Entre elas está a prata nos Jogos Olímpicos de Paris 2024, quando os poloneses chegaram à decisão olímpica pela primeira vez desde o ouro de Montreal 1976.
Em 2026, a Polônia conquistou a Liga das Nações e o Campeonato Europeu e garantiu antecipadamente a classificação para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028. A equipe também ocupa a liderança do ranking mundial.
Sérvio, Grbic conhece o caminho até o topo do pódio olímpico. Antes de se tornar treinador, foi um dos principais levantadores de sua geração e conquistou o ouro nos Jogos de Sydney 2000 defendendo a então Iugoslávia.
Agora, à frente de uma seleção marcada pela concorrência interna e pela cobrança permanente, tenta transformar essa exigência em uma conquista que a atual geração polonesa ainda persegue: o título olímpico.