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Horacio Dileo projeta final da Superliga: “Não tem margem de erro”

No comando do Vôlei Renata, Horacio Dileo já venceu o Campeonato Paulista, o Sul-Americano de clubes e a Copa Brasil na temporada
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A poucos dias da decisão da Superliga masculina, o técnico Horacio Dileo adotou um discurso direto sobre o tamanho do desafio do Vôlei Renata. A equipe campineira encara o Sada Cruzeiro neste domingo (10/5), às 10h, no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo (SP), e, para o argentino, a final em jogo único exige um nível máximo de atenção, especialmente no aspecto mental.

– Temos uma semana de trabalho. Na semana acontecem muitas coisas, temos que ficar muito focados, ser muito cuidadosos. Meu objetivo é estar muito mais focado. São dois mundos diferentes, uma série e um jogo único, a preparação, sobretudo mental, não é a mesma. É esse dia a essa hora. Acabou. O jogo único não dá tempo, nossa preparação tem que ser muito clara, baseada nisso e entender que quando chegar o dia a gente não tem margem de erro. Levantar essa taça é um sonho para nós, que trabalhamos durante 44 semanas para isso, mas nesse dia não temos possibilidade de errar – afirmou o treinador.

O contexto da decisão reforça ainda mais o peso do momento vivido pelo Vôlei Renata. Em sua nona temporada no comando do projeto, Dileo classifica o ciclo 2025/26 como um dos mais marcantes da carreira. Na temporada, a equipe já conquistou o Campeonato Paulista, o Campeonato Sul-Americano e a Copa Brasil.

– Inesquecível. Muita coisa está acontecendo. Nós temos essa final, começaram os treinos da seleção argentina em Buenos Aires, uma comissão técnica nova, a chegada da minha família, meus próprios sonhos profissionais ligados diretamente ao projeto, que sem sombra de dúvida é o projeto mais importante onde eu já trabalhei na minha carreira. Para mim, é um desafio a mais. Porque nós tínhamos que coroar nosso trabalho com títulos e está acontecendo tudo junto. É uma afirmação, sobretudo, para as pessoas, nem tanto para mim, que o trabalho está bem feito – comentou Horacio Dileo.

O treinador ainda reforçou que a consistência sempre foi uma marca da equipe, mesmo em outras temporadas em que os títulos não vieram.

– Para mim, nós temos trabalhado sempre em um nível de excelência muito alto. Sempre o time, em qualquer temporada, foi competitivo. Sempre o time trabalhou. Nunca tivemos problemas de conduta, de relacionamento. Sempre, nestes pontos, fomos exemplo de trabalho, de disciplina. Hoje, com três finais na temporada, títulos, tendo a possibilidade de jogar a quarta, aparece a ideia de que o trabalho é fantástico. Se bem que para mim o trabalho está muito bem feito por todo mundo, jogadores, comissão técnica, diretoria, independente de qualquer coisa – acrescentou Dileo.

Na análise técnica, Dileo valoriza mais o comportamento do time em quadra do que propriamente a lista de conquistas. Para ele, o principal diferencial está na capacidade de interpretação do jogo.

– A temporada pode ser marcante pelos títulos, mas para mim é marcante pelo nível do time, pelo que atingimos através do trabalho. É um time que joga bem e, para mim, jogar bem é interpretar a situação que o jogo exige e ir resolvendo conforme o jogo vai acontecendo. Eles interpretam muito bem, são maduros, não foi fácil para nós nas quartas, vínhamos de muito tempo sem competir, nos aconteceu a mesma coisa contra o Praia Clube, na semifinal, entramos sem ritmo de jogo. Essas temporadas, as peças estão encaixando, as coisas acontecendo, mas tem muita coisa para acontecer essa temporada ainda – avaliou o técnico.

Novo ciclo com a seleção argentina

Paralelamente à campanha no clube, Dileo inicia um novo capítulo na carreira ao assumir a seleção argentina no ciclo olímpico rumo a Los Angeles 2028. Após atuar como assistente técnico, ele agora assume o comando principal.

– Ser o assistente técnico não é a mesma coisa e nem tem a mesma responsabilidade que ser o técnico principal. Estou muito orgulhoso em assumir esse desafio e me sinto honrado em comandar a seleção de meu país. Sou muito agradecido pelo reconhecimento do meu trabalho e da minha pessoa, isto para mim não é só um trabalho – celebrou.

Vida pessoal e impacto fora das quadras

Em meio a um dos períodos mais intensos da carreira, o treinador também vive um momento especial na vida pessoal: o nascimento do primeiro neto, Beltran, fato que, segundo Dileo, trouxe reflexões importantes.

– Alguns dias antes do nascimento dele, eu sofri muito. Porque eu repensei muitas coisas na minha vida. Porque eu, seguramente, vou ter mais netos, se Deus quiser, e meus filhos desejarem. Mas o primeiro sempre faz uma diferença muito grande. Eu tive, entre aspas, uma crise de não poder assistir ao parto dele e estar presente em Buenos Aires. Mas, como sempre, minha filha me deu força para mim, assim como a comissão e os jogadores me ajudaram muito. Mas foi um momento, para mim, bem difícil – relembrou.

– Ele mudou a minha vida de verdade. Não mudou exatamente as minhas prioridades, mas fez com que elas aumentassem. Agora eu tenho mais uma pessoa para cuidar, para ajudar a ter uma ótima qualidade de vida, além de apoiar os pais dele. Ser avô realmente muda a vida de uma pessoa. Pelo menos mudou a minha. Meu avô sempre fala uma coisa ‘que o pai cria e o vovô mal cria’. Agora é o meu tempo de mal criar ele. Estou muito ansioso pela presença deles aqui – finalizou Horacio Dileo.

Tags: Horacio DileoSuperliga MasculinaVôlei Renata

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