Julia Kudiess conhece bem o caminho que tem pela frente. Depois de sofrer uma nova lesão no joelho durante a VNL de 2026 – ruptura do Ligamento Cruzado Anterior (LCA) do joelho esquerdo – e passar por mais uma cirurgia, a central da Seleção Brasileira e do Novara, da Itália, vive seu segundo processo de reabilitação em três anos. Desta vez, porém, encara a recuperação de uma maneira diferente.
Em entrevista ao Sportv, Julia Kudiess, maior bloqueadora da VNL e do Mundial de 2025, diz que a experiência da primeira lesão, apesar de dolorosa, ajuda a tornar o atual processo menos angustiante.
– A primeira foi muito mais desafiadora porque eu não sabia o que vinha pela frente. Nunca tinha passado por uma lesão tão difícil. Hoje eu já sei o que vou passar, já sei os desafios, já sei o processo. Então é muito mais leve para mim. Eu consigo passar pelas dores e por todo o processo, que é mais difícil, de uma forma muito mais leve, porque eu sei que uma hora vai funcionar, uma hora eu vou conseguir fazer. Então estou muito mais tranquila. – contou Júlia Kudiess.
Segunda lesão no joelho em três anos
Júlia Kudiess rompeu o ligamento cruzado anterior (LCA) do joelho direito em 2024, lesão que a tirou da disputa dos Jogos Olímpicos de Paris. Recuperada, voltou à Seleção Brasileira e vinha fazendo uma grande VNL em 2026, e liderando as estatísticas de bloqueio, quando sofreu uma nova lesão, desta vez no LCA do joelho esquerdo.
Após a cirurgia, a brasileira iniciou a recuperação em Brasília, sua terra-natal.
– Esse início eu vou ficar em Brasília e estou muito feliz, porque é a minha cidade e faz anos que eu não consigo passar mais de três dias aqui. Então está sendo muito prazeroso estar perto da minha família, das pessoas que eu amo. Meu clube e a Seleção acataram esse meu pedido -, disse a central de 23 anos, 1,92m
Novara, Seleção e equipe em Brasília trabalham juntos
Mesmo distante da Itália, Júlia conta com acompanhamento integrado entre os profissionais envolvidos na recuperação. A própria jogadora criou um grupo no WhatsApp para reunir todos que participam do processo. Fotos, vídeos e informações sobre a evolução são compartilhados entre os profissionais para que o trabalho tenha continuidade quando Júlia deixar o Brasil e seguir para a Liga Italiana.
– No início eu estava muito nervosa com isso, porque o meu time está na Itália, tem a Seleção Brasileira e eu estou em Brasília. Mas, conseguimos montar uma equipe maravilhosa, uma estrutura em que eles trocam figurinhas todos os dias. Eu criei um grupo no WhatsApp e coloquei todo mundo que está me acompanhando na lesão. Cada um agrega um pouquinho. Tem sido muito legal e muito tranquilo para mim, porque sei também que, nessa transição, quando eu for para a Itália, eles vão saber o que eu estava fazendo e vamos continuar o trabalho que está sendo feito aqui.
Lições aprendidas
Mais do que estabelecer uma data para retornar às quadras, Julia Kudiess passou a olhar para aspectos que considera fundamentais para que a recuperação seja completa.
– O que eu aprendi com mais uma lesão é que não vai adiantar nada se eu não estiver feliz, leve e motivada, se eu não cuidar da minha alimentação, se eu não dormir bem e se eu não me recuperar. Então, antes de pensar em voltar a jogar, eu tenho que estar com esses pilares todos alinhados.
Por enquanto, a central comemora a resposta do corpo e a evolução do tratamento.
– Graças a Deus, estou conseguindo me manter muito firme. Isso tem sido um diferencial para eu estar evoluindo tão rápido.