Com apenas 23 anos, Julia Kudiess já é uma referência. Maior bloqueadora do Campeonato Mundial e da Liga das Nações (VNL) de 2025, a meio de rede iniciou a temporada com o status de melhor do mundo na posição. E isso não é pouca coisa!
Menos de dois anos atrás, ela sofreu uma grave lesão no joelho, em pleno Maracanãzinho, e perdeu a chance de participar dos Jogos Olímpicos de Paris. Um baque enorme! Mas a volta por cima, após 8 meses de recuperação, foi rápida e impactante, com prêmios individuais e medalhas pela Seleção. Como consequências naturais, a explosão da fama, o interesse dos melhores times de vôlei do mundo e, principalmente, o carinho dos fãs.
Em entrevista exclusiva para o Web Vôlei, Julia Kudiess falou sobre esse turbilhão. Hoje meninas mais novas querem ser como ela no esporte. Torcidas adversárias demonstram carinho em jogos do Gerdau Minas. E como uma ainda jovem lida com tudo isso?
FALA, JULIA!
– Eu sou apaixonada por todo esse carinho. Eu brinco que se eu pudesse responder todas as pessoas que me mandam mensagens, e são muita… Mas infelizmente não dá, senão ficaria o dia inteiro ali. Mas eu acho que é o que me dá mais força, sabe? São essas pessoas que demandam um tempinho para preparar uma lembrancinha ou no jogo fazem um cartaz. E para mim é muito importante também devolver esse carinho, seja numa vibração, seja vestir a camisa com muita vontade e ali no final dar um abraço – contou Julia.
– Eu acho que a galera gosta de mim porque sou uma pessoa muito carismática. Eu tô sempre rindo no jogo, sempre brincando. E eu acho que pelo fato de eu ser nova, essas meninas mais novas também se identificam um pouco mais comigo. Eu gosto muito, muito, muito, muito de todo esse carinho. Todo lugar que a gente vai, tem alguém que faz alguma coisa, tem sempre algum cartaz, as meninas mandam muita mensagem, vão no hotel encontrar a gente. Então, para mim é muito especial. E eu digo que se não é a coisa que eu mais gosto de jogar voleibol, é uma das, porque é muito legal receber esse carinho assim. Eu estava até conversando com o meu pai e ele falou: “Ju, é muito legal ver como as pessoas gostam de você”. Então é muito especial para mim.
Julia em ação na Superliga 25/26 (Hedgard Moraes/Minas Tênis Clube)
A CARREIRA EM BH
Na trajetória no esporte, Julia Kudiess completa dez anos no Minas. Local que chama de casa. E se sente em casa. É lá que ela sente na pele a admiração de jovens que estão chegando em BH com os sonhos que ela tinha no passado.
– Eu sou apaixonada por aquele lugar. Todos os dias da minha vida eu estou ali dentro. Então eu conheço cada canto, cada profissional, cada pessoa que trabalha ali. Então realmente é uma casa para mim. E eu me sinto muito bem, sinto que eu tenho uma família ali. Todas as pessoas: a galera da limpeza, da portaria, da fisioterapia, da equipe médica, os técnicos e até as meninas também – disse.
– Uma das coisas que eu acho mais legal é que quando eu cheguei lá, eu me inspirava nas meninas do adulto. E hoje eu vejo que as menininhas mais novas se inspiram muito em mim. Então isso para mim é muito gratificante, porque eu sou muito nova e eu vejo que elas têm um carinho. Passo e elas ficam: “Meu Deus, é a Julia”, Eu falo: “Cara, que legal saber que eu inspiro essas meninas”. Não sou muito mais velha do que elas, mas assim, é muito legal ver esse carinho que elas têm comigo – admitiu ela, antes de lembrar de um fato marcante.
– Na semana passada eu me emocionei. Uma senhora veio falar comigo: “Ju, o que eu acho mais legal é que você já tem não faço ideia quantos anos de Superliga, mas acho que são cinco, seis de profissional, e desde o seu primeiro jogo eu te acompanho e você não mudou o seu jeito de ser, não subiu a cabeça, você tá sempre pensando coletivo e tudo”. E eu acho que é isso que importa para mim, sabe? Tipo saber que todas as pessoas ali dentro têm esse carinho comigo e que eu mantive os meus valores. Então, o Minas, para mim é minha casa e eu amo ali.