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Marcelo Negrão relata falta de estrutura: “Pedi 30 bolas e me deram três”

Marcelo Negrão relata as dificuldades para desenvolver o Norde Vôlei no Ceará: “Pedi 30 bolas para treinar e me deram três”
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Marcelo Negrão conhece como poucos o alto rendimento. Campeão olímpico em Barcelona-1992 e autor do ace que confirmou o primeiro ouro do vôlei brasileiro, o ex-jogador de 53 anos encontrou uma realidade bem diferente quando decidiu desenvolver um projeto no Nordeste.

O trabalho de Marcelo no Ceará começou antes mesmo da criação do Norde. Em 2022, ele comandou a Rede Cuca na Superliga. Quatro anos depois, volta à elite com o Norde, projeto do qual é técnico e dono e que disputará a principal divisão nacional pela primeira vez em sua história.

Negrão relatou as dificuldades que enfrentou para montar uma estrutura de alto rendimento no Nordeste. Durante o lançamento da Superliga 2026/27, em São Paulo, ele contou que chegou a pedir 30 bolas para os treinamentos. Recebeu apenas três.

“A estrutura precisa mudar muito, então precisa de muito apoio. Só para vocês terem ideia, no primeiro ano que eu fui para lá eu pedi no mínimo 30 bolas para treinar e me deram três. Então eu tive que ir atrás da Mikasa, que o distribuidor fica em Curitiba, pedir bolas para eles”, contou Marcelo.

Mais dificuldades

As bolas não foram o único problema. Marcelo também precisava de uma mesa elevada, equipamento utilizado pelas comissões técnicas em diferentes exercícios durante os treinamentos. No entanto, recebeu algo completamente diferente.

“Eu pedi mesa. Todo mundo sabe que a gente pede mesa para subir, para treinar o ataque, a defesa. Me deram mesa de plástico para o pessoal comer. Você imagina isso há quatro anos, em 2022. Não estou falando uma coisa de 1900 e… Não. Agora, recentemente. Então é uma região ainda que necessita de muito apoio.”

Norde chega à Superliga depois de bater na trave

Dentro de quadra, o projeto avançou rapidamente. O Norde conquistou espaço no cenário nacional, mas não conseguiu o acesso à elite na tentativa anterior. A equipe terminou a Superliga B 2024/25 na terceira colocação e bateu na trave.

Nesta temporada, a história mudou. O Norde garantiu o acesso à Superliga e ainda fechou a campanha com o título da Superliga B 2025/26. Na decisão, a equipe comandada por Marcelo Negrão venceu o Montes Claros por 3 a 2.

“Alcançamos esse título de campeão da Superliga B e vamos ter esse alto rendimento. O público é carente demais de ídolos. Eles vão ver os grandes ídolos que estão aqui de perto. Acredito que vai ser casa cheia sempre, mas a gente precisa de apoio”, disse.

Projeto de Marcelo Negrão vai além da Superliga

Apesar do acesso, Marcelo não pretende limitar o Norde ao time masculino adulto. O campeão olímpico quer ampliar o projeto e criar uma estrutura permanente para o desenvolvimento da modalidade na região.

“O meu projeto ideal é ter a categoria de base, continuar com o time principal, chegar a ter um time feminino também e também apoiar o vôlei de praia.”

Marcelo também pretende transformar o Norde em uma referência para atletas das regiões Norte e Nordeste.

“O intuito do projeto é chegar nesse patamar, fazer com que o Nordeste se torne uma referência para a região Norte e Nordeste, dando apoio a essa molecada, essa criançada e também aos jogadores profissionais, porque merece demais.”

Atualmente, Marcelo acumula as funções de técnico e dono do Norde. No entanto, ele admite que o crescimento do projeto poderá exigir uma escolha no futuro. Nesse cenário, o campeão olímpico sinaliza uma preferência pela gestão.

“Já que eu estou à frente como dono do time e técnico, daqui a pouco a gente tem que escolher um dos dois, né? Acredito que mais na parte de gestão.”

 

Tags: Marcelo NegrãoNorde Vôlei

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