Um dos nomes importantes da equipe de José Roberto Guimarães no ciclo olímpico de Paris 2024, Rosamaria ainda almeja grandes passos na carreira. Ela elenca outras atletas que alcançaram a longevidade e valoriza a preparação física do vôlei moderno. O importante, segundo a atacante, é não atropelar momentos.
– Temos exemplos de longevidade no esporte, como Fernanda Garay e Carol Gattaz. Dá pra chegar bem mais longe do que antigamente. Quero criar tudo com calma, precisão e aprendendo como o mercado, o entretenimento e a TV funcionam – acrescentou Rosamaria.
Data para a aposentadoria não é algo que ela estabeleça. Fato é que Rosa se mostra encantada com a carreira de empresária da moda.
“Sempre procurei e gostei de roupas na parte masculina das lojas e não queria ver essa separação na minha marca. As peças foram pensadas para que todas as pessoas se sintam à vontade para usá-las”, completou a jogadora.
A atleta faz um balanço positivo do ano e deixa claro que está focada em Paris 2024. A Seleção conquistou a prata no Campeonato Mundial e mostrou que segue na briga entre as grandes equipes do planeta.
– Estou em um momento feliz, porque tenho consciência do que quero para a minha vida. Foi um ano interessante na Seleção, de superação e de certeza de que fui muito forte. Paris está batendo na porta e quero participar de mais uma Olimpíada – disso Rosa.
Confira outros tópicos da entrevista de Rosamaria
1m85: a aceitação do corpo
– Quando entrei no esporte, conheci um mundo em que era legal ter a altura que eu tinha. Me sentia totalmente deslocada até então, mas no vôlei me identifiquei com quem estava ao redor e aprendi aos poucos a enxergar a beleza no meu corpo.
A vida em Milão
– Morar perto de Milão é ver as pessoas respirando moda e ninguém julgando os outros. Essa liberdade de expressão no vestir e agir me encanta.
Depressão no final de 2027
– Foram meses sem dormir, fazendo terapia e até tomando medicação por um tempo para decidir me afastar da Seleção em 2019. Consegui sair dela, mas foi difícil abrir mão e me distanciar do sonho da Olimpíada [curada, a jogadora conseguiu participar dos jogos de 2020 em Tóquio]. Ali, era a Rosamaria pessoa física e precisei pensar em mim, caso contrário só andaria para trás. Tem que ser exposto, tratado como uma coisa normal e como mais um treinamento. Isso faz diferença numa decisão, não basta ser apenas a mais alta ou mais forte.
Cuidado com redes sociais
– Evito porque, às vezes, no meio do esporte a exposição não é bem vista. Se faço story hoje e perco o jogo, vão falar que estava mais preocupada com as redes sociais. Poderia fazer muito mais e tirar ideias do papel, mas escolho não expor 24 horas do meu dia.
Desafios para as mulheres
– O vôlei feminino é um dos esportes mais seguidos. Atingimos o público feminino e masculino, mas, assim como no futebol e outras modalidades, também temos diferença de salário e premiações. É uma briga constante.