O Sul-Americano de Clubes, em Campinas (SP), reservou uma cena que extrapolou a rivalidade em quadra. O duelo entre Vôlei Renata e San Lorenzo colocou frente a frente dois atletas que cresceram juntos em San Juan, na Argentina: o oposto Bruno Lima, do time brasileiro, e o ponteiro Ramiro Nielson, da equipe argentina.
Companheiros desde a infância, os dois iniciaram a trajetória no voleibol em 2013, quando ingressaram no mesmo projeto local, na cidade conhecida tradicionalmente pelo hóquei sobre patins. Nascidos no mesmo ano, dividiram treinos, competições de base e sonhos antes de seguirem rumos distintos na carreira profissional.
O reencontro aconteceu em alto nível técnico. Em quadra, o Campinas levou a melhor e venceu por 3 sets a 0. Fora, porém, prevaleceu o sentimento de admiração mútua.
– O Bruno Lima é um amigo de toda a minha vida. A gente jogava desde criança. Ele foi meu principal companheiro do esporte, minha referência e uma pessoa que me inspirava muito – afirmou Ramiro Nielson, em entrevista ao Sportv.
A separação esportiva ocorreu a partir de 2017, quando Bruno iniciou experiência no voleibol europeu, com passagem pela França. Depois, retornou à Argentina antes de consolidar nova etapa da carreira até desembarcar em Campinas (SP) na temporada 2023. Já Nielson permaneceu no cenário argentino e defende o San Lorenzo há duas temporadas.
O histórico em comum inclui também momentos relevantes nas categorias de base, como o vice-campeonato sul-americano sub-21, em 2015. Agora, anos depois, ambos se reencontram como protagonistas em clubes distintos, disputando vaga entre os melhores do continente.
– Fazia tempo que a gente não jogava o mesmo jogo. Foi especial por ser um reencontro. É muito bom participar de um jogo de alto nível com o Nielson. Estou muito feliz de vê-lo por aqui – declarou Bruno Lima, também em entrevista ao sportv.
– Eu pedi para trocar a camisa com ele para guardar esse momento. Fico orgulhoso da trajetória dele. Quero apresentar Campinas com mais calma. Ainda não tivemos tempo para conversar direito – completou.
Do lado argentino, Nielson ressaltou o apoio familiar e a expectativa pela sequência da competição.
– Nossas famílias estão vibrando porque acompanham desde cedo. Estou feliz de vê-lo jogando nesse nível e chegando à semifinal. Vamos trabalhar para buscar a nossa vaga também – disse.
Com o resultado, o Vôlei Renata manteve os 100% de aproveitamento na fase classificatória e assegurou a liderança do grupo. A definição do adversário na semifinal depende de quem terminará a primeira fase como o segundo melhor colocado geral. A partida está marcada para sábado (28/2), às 18h30.